A Reforma Tributária já começou a transformar o sistema de emissão de notas fiscais no…
A Reforma Tributária na Agenda do CEO/Empresário
Por Nilton A. Faria
Contador • Empresário Contábil • Membro da Câmara Setorial de Contabilidade do SESCON-SP
Introdução
Durante muitos anos, a tributação foi tratada dentro das empresas como um assunto quase exclusivo dos departamentos fiscal e contábil. Com a Reforma Tributária, essa lógica deixa de existir. A mudança não decorre apenas da criação de novos tributos, mas da alteração da forma como as empresas tomam decisões estratégicas. A substituição de diversos tributos pelo IBS, pela CBS e pelo Imposto Seletivo modifica a lógica econômica que orientou decisões empresariais por décadas.
Como a Reforma Tributária muda os incentivos econômicos das empresas
Muitas empresas foram estruturadas considerando incentivos fiscais, diferenças entre ICMS e ISS, regimes especiais, benefícios estaduais, localização de centros de distribuição e inúmeras particularidades do sistema tributário brasileiro. A Reforma Tributária, baseada em princípios como neutralidade, não cumulatividade ampla e tributação no destino, reduz esses incentivos e exige a revisão de estruturas societárias, cadeias logísticas, contratos comerciais e políticas de preços.
O impacto vai muito além da área fiscal
A implantação da reforma envolve áreas como comercial, compras, suprimentos, controladoria, contabilidade, fiscal, tecnologia da informação, jurídico, financeiro e planejamento estratégico. Também exige revisão de cadastros, parametrizações, documentos fiscais eletrônicos e sistemas emissores.
O CEO passa a ter um novo papel
A tributação deixa de ser apenas um tema operacional e passa a influenciar decisões estratégicas. Questões como margens, competitividade, estrutura operacional, contratos, aproveitamento de créditos tributários, preparação do ERP e capacitação das equipes passam a integrar a agenda da alta administração.
A maior ilusão é acreditar que tudo muda apenas em 2033
Embora a transição se estenda até 2033, a preparação já começou. Empresas que deixarem a adaptação para os últimos anos tendem a enfrentar custos maiores, maior complexidade operacional e riscos mais elevados.
A nova função do contador
O contador amplia seu papel como consultor da gestão, apoiando decisões sobre precificação, rentabilidade, reorganizações societárias, investimentos, contratos, gestão de riscos, implantação tecnológica e governança tributária.
O que as empresas devem fazer agora para se preparar para a Reforma Tributária
- Mapear impactos da reforma.
- Revisar ERP e parametrizações.
- Avaliar contratos de longo prazo.
- Revisar formação de preços e margens.
- Capacitar gestores e equipes.
- Acompanhar regulamentações e notas técnicas.
Conclusão
A Reforma Tributária redefine a forma como as empresas organizam operações, estruturam investimentos e tomam decisões. O tema deixou de ser exclusivo do contador e passou a integrar a agenda do CEO. As organizações que iniciarem sua preparação desde já estarão em posição mais competitiva durante a transição.
- Quando a Reforma Tributária começa a afetar as empresas?
- O que muda em 2027?
- O que são CBS e IBS?
- Por que o CEO deve participar da implementação?
- Como preparar o ERP para a Reforma Tributária?
Sobre o autor
Nilton A. Faria é contador, empresário contábil e sócio da Master Consultores. Atua em consultoria empresarial, planejamento tributário, holdings, contabilidade para empresas PME brasileiras e internacionais, IRPF e Reforma Tributária. É membro da Câmara Setorial de Contabilidade do SESCON-SP. Também possui formação em GRI (Global Reporting Initiative) e MBA em Holding.


